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A Construção das Memórias Nobiliárquicas Medievais - O passado da linhagem dos Senhores de Sousa
Preço: EUR 23,00
Editora: Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Ano do Livro: 2015
Nº Páginas: 222

Temas: [·]
Sinopse:

Do Prefácio do Prof. Luís Krus:

Entre os mais recentes estudos sobre sociologia das elites medievais portuguesas, sobretudo os respeitantes à história da nobreza, encontra-se quase sempre referido como a produção e a difusão de memórias específi¬cas constituiu um poderoso factor para a afirmação das suas identidades e respectivas formas de legitimação ideológica, sublinhando-se, frequente¬mente, que o culto dos antepassados e a constante recordação dos seus feitos e ditos modelares estruturaram uma parte substancial do discurso senhorial fidalgo. Contudo, apesar da constante presença de tais considerandos, raros têm sido os trabalhos que os tiveram como tema de investigação autónoma, procurando reunir, compaltar e cruzar dados e in¬formações disponíveis em muito dispersas e diversificadas fontes, mais não seja porque, à partida, um tal caminho pressupõe o sempre difícil e moroso conhecimento de regras de heurística, normas de crítica histórica e proce¬dimentos metodológicos que a crescente especialização do saber historiográfico tem vindo a dissociar e compartimentalizar Assim sendo, o estudo de Odília Alves Gameiro apresenta-se como uma corajosa e estimulante excepção. Encontrando-se totalmente dedica¬do à problemática da construção das memórias nobiliárquicas medievais, constitui a primeira e exemplar abordagem monográfica de um caso alta¬mente paradigmático, o da reiterada afirmação, entre os finais do século XII e os começos da segunda metade do XIII, de um vasto conjunto de práticas e representações culturais relativas à recordação do passado familiar de uma das mais antigas e prestigiadas linhagens da nobreza tradi¬cional portuguesa, a dos senhores de Sousa.
[...]
No seu novo formato genealógico, as memórias dos de Sousa passa¬ram a privilegiar a lembrança dos antepassados que teriam conferido à família o estatuto de nobreza fundadora e dinamizadora de uma comuni¬dade regional hispânica vista como anterior à formação do reino luso e à respectiva realeza, ao mesmo tempo que recordavam no passado portu¬guês da linhagem os chefes geracionais que haviam sofrido afrontas e vexames por parte dos monarcas de quem apenas deveriam ter recebido reco¬nhecimento e gratidão Em suma, tanto construíam um passado demons¬trativo da precedência da nobreza em relação à realeza, como responsabi¬lizavam os soberanos pelo constante trair do respeito devido aos descen¬dentes dos fidalgos que lhes teriam possibilitado o reino e a coroa, legiti¬mando, nesse sentido, as lutas e as revoltas que então opunham a família à monarquia centralizadora.
Como bem o compreendeu Odília Alves Gameiro, um tal evoluir dos temas, formas e conteúdos das memórias da linhagem, acabou por as autonomizar do itinerário histórico percorrido pela família. De facto, mes¬mo depois de os de Sousa terem sido de novo chamados ao desempenho de prestigiantes funções na corte de D Afonso lV e D Dinis, tal como aconte¬ceu a partir de 1255, e aí terem permanecido até à data da extinção da linhagem, em 1285, o seu passado continuou a ser reinvindicado e apropri¬ado pela nobreza senhorial do reino, visto a trama genealógica que o en¬quadrava conter a possibilidade de ele vir a ser herdado e assumido por várias das linhagens aparentadas com a família.

Por isso, a investigação de Odília Alves Gameiro, para além de seguir as actualizações genealógicas por que passaram as lembranças acerca dos de Sousa na literatura genealógica do século XIV, ainda contempla um último e inovador capítulo sobre as memórias dispersas da família, nela abordando a pertinente questão das respostas e dos posicionamentos que foram sendoa ssunidos pela realeza em relação ao passado construído pela linhagem e por ela legado ao conjunto da nobreza senhorial do reino.
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